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Otite externa: quando as gotas com antibiótico são indicadas

Otite externa

A otite externa causa dor, coceira e secreção no ouvido, e gotas com antibiótico só valem com indicação médica.

A dor de ouvido que aparece depois de um dia de piscina, de um banho demorado ou de uma limpeza com cotonete costuma ter um nome: otite externa. Para muita gente, a primeira ideia é pegar o frasco de gotas que sobrou de outra ocasião, como o Ouvidonal, que reúne antibiótico e anestésico local, mas esse atalho esconde riscos que quase ninguém conhece.

A otite externa é a inflamação da pele do canal que vai da orelha até o tímpano. Pode ser causada por bactérias, às vezes por fungos, e quase sempre começa com umidade ou com pequenas lesões na pele do canal. O tratamento existe, é simples e dura poucos dias, mas depende de um exame que confirme o que realmente está acontecendo.

O texto é informativo e não substitui consulta. Dor de ouvido forte, febre ou inchaço atrás da orelha pedem avaliação médica no mesmo dia.

O que é a otite externa e por que ela aparece

O canal auditivo externo é um tubo curto, revestido de pele fina, que conduz o som até o tímpano. A pele ali tem uma proteção natural: a cera, que é levemente ácida e repele bactérias e fungos. Quando essa proteção se perde, a porta fica aberta para a infecção.

O gatilho mais comum é a água que fica retida depois de nadar ou tomar banho, e por isso o quadro é conhecido como ouvido de nadador. O segundo é a limpeza agressiva, com cotonete, chave, grampo ou ponta de caneta, que arranha a pele e remove a cera. Aparelhos auditivos, fones que ficam muito tempo no ouvido e dermatites também entram na lista.

Ou seja, quase sempre há uma causa evitável por trás do quadro, e conhecê-la ajuda a impedir que ele volte.

Sintomas: como reconhecer a otite externa

O sinal mais característico é a dor que piora ao tocar ou puxar a orelha, ou ao mastigar. Esse detalhe ajuda a distinguir o quadro da otite média, em que a dor vem de dentro, atrás do tímpano, e não muda quando se mexe na orelha.

Também são frequentes a coceira no canal, a sensação de ouvido tampado, a vermelhidão e o inchaço da pele, a secreção, que pode ser clara ou amarelada, e uma queda leve da audição por causa do canal inflamado. Em crianças, a irritabilidade e o hábito de levar a mão ao ouvido chamam atenção.

Febre alta, dor muito intensa que não alivia com analgésico comum, inchaço atrás da orelha e fraqueza de um lado do rosto são sinais de alerta e pedem pronto atendimento.

Como o médico confirma o diagnóstico

A confirmação é feita com um exame simples. O médico, geralmente um otorrinolaringologista ou o clínico, olha o canal com um otoscópio, observa o estado da pele, a quantidade de secreção e, principalmente, se o tímpano está íntegro. Em alguns casos, faz uma limpeza com aspiração ou com instrumentos próprios, porque restos de secreção impedem que a gota alcance a pele inflamada.

Esse exame é a razão pela qual a automedicação é arriscada. Sem olhar o canal, ninguém sabe se há perfuração do tímpano, se a infecção é bacteriana ou por fungos, ou se a dor tem outra origem.

Quando as gotas com antibiótico são indicadas

O tratamento da forma bacteriana costuma ser local: gotas com antibiótico, às vezes associado a corticoide para reduzir a inflamação ou a um anestésico para aliviar a dor. As gotas agem diretamente no canal, em concentração alta, com pouco efeito no resto do corpo.

Segundo o guia de bulas que descreve o Ouvidonal, o produto contém cloranfenicol e lidocaína e é indicado para inflamações do ouvido externo causadas por germes sensíveis ao antibiótico. A própria bula alerta que ele não serve para infecções por vírus ou por fungos e que não deve ser usado em quem tem perfuração do tímpano.

Antibiótico por via oral só entra quando a infecção é mais profunda, quando há febre, inchaço que se espalha pela face ou doenças que reduzem a defesa do organismo, como diabetes mal controlado.

Por que não usar gotas sem orientação

O primeiro risco é o tímpano perfurado. Alguns medicamentos aplicados no canal podem atingir o ouvido médio e, em contato com estruturas delicadas, causar danos à audição. Como a perfuração nem sempre dá sintomas óbvios, só o exame mostra se a gota é segura.

O segundo é o uso por tempo longo ou em infecções que não eram bacterianas. O uso prolongado de antibiótico favorece o crescimento de fungos no canal, e a infecção fúngica exige outro tipo de tratamento. O terceiro é a dose: a bula do produto citado alerta que doses acima da indicada podem reduzir a audição.

Também é comum guardar o frasco aberto e reutilizá-lo meses depois, o que, além de ineficaz, pode contaminar o conteúdo.

Cuidados durante o tratamento

Enquanto a pele cicatriza, o canal precisa ficar seco. Evite piscina, mar e banhos em que a água entre no ouvido, e use um protetor ou um algodão com vaselina na hora do banho, sem empurrá-lo para dentro. Não use cotonete, mesmo para aliviar a coceira, porque cada arranhão reabre a porta da infecção.

Aplique as gotas do jeito que o médico ensinou: deitado de lado, com o ouvido doente para cima, puxando suavemente a orelha para endireitar o canal, e permaneça alguns minutos na mesma posição. Aqueça o frasco entre as mãos antes de usar, porque gota gelada pode causar tontura.

Analgésicos comuns, como paracetamol, ajudam nos primeiros dias, de acordo com a orientação do médico. A melhora costuma aparecer em dois ou três dias, e o tratamento deve ser completado mesmo depois que a dor passa.

Como prevenir a otite externa

A prevenção é, em boa parte, uma questão de hábitos. Depois de nadar, incline a cabeça para cada lado e seque a orelha externa com uma toalha, sem enfiar nada no canal. Nadadores frequentes podem usar protetores auriculares moldáveis ou gotas secantes, desde que o médico aprove.

Deixe a cera em paz. Ela faz parte da defesa do canal e, na maioria das pessoas, sai sozinha. Se houver acúmulo que atrapalhe a audição, a remoção deve ser feita no consultório, não em casa. Quem usa aparelho auditivo ou fones por muitas horas deve higienizá-los e dar descanso ao ouvido.

Quando a otite externa pede cuidado redobrado

Em pessoas com diabetes, idosos e quem tem a imunidade baixa, a infecção do canal pode avançar para os tecidos próximos e comprometer o osso do crânio, uma complicação rara, porém grave, conhecida como otite necrosante. A dor intensa e persistente, principalmente à noite, e a secreção que não melhora com o tratamento inicial são o sinal para voltar ao médico sem demora.

Crianças pequenas, que não sabem dizer onde dói, merecem atenção especial. Dor de ouvido em bebê, com choro persistente e febre, deve ser avaliada pelo pediatra, que identifica se a origem é o canal ou o ouvido médio.

Um resumo para guardar

A otite externa é a inflamação do canal do ouvido, causada por umidade, pequenas lesões e bactérias ou fungos, e se reconhece pela dor que piora ao mexer na orelha. O tratamento mais comum é local, com gotas, mas só o exame do canal e do tímpano diz qual produto serve.

Gotas com antibiótico não são para guardar na gaveta nem para trocar entre familiares. Em caso de dúvida, procure o médico, e mantenha o ouvido seco e livre de cotonetes enquanto o quadro durar.

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